Mudar é abrir uma porta que só abre para dentro

 

foto do texto "Mudar é abrir uma porta que só abre para dentro"

foto do texto “Mudar é abrir uma porta que só abre para dentro”

Li essa frase num livro de auto-ajuda. Sim, adoro livros de auto-ajuda. Muitos “intelectuais” dizem assim: ”Isso é pra quem não lê nada e acha que vai achar tudo ai, é uma forma de ganhar dinheiro em cima da ignorância da massa”. – Ainda bem que sou ignorante, pois tenho a oportunidade de aprender mais, mesmo que seja sobre mim mesmo.

A mudança sempre fascinou o humanidade. A renovação, o incremento, o novo e o rejuvenescimento facial nos anima para experimentar sensações antes desconhecidas…. Porém, esquecemos que tudo tem um preço, e olha que Deus é o melhor precificador que ouvi falar. Mas como não foi Deus quem criou o dinheiro, e sim, os humanos, ele cobra a dívida de cada um nos hábitos que cada mutante assume.

Uma parábola fantástica sobre a mudança é a da águia. Ela quebra seu bico, arranca suas unhas e se despena toda para conseguir usufruir de sua experiência quando a juventude não é mais companheira. Essa nos ensina que mudar requer atitude, perseverança e DOR, muita DOR.

Ninguém emagrece na segunda feira, ninguém é fiel nas juras do casamento ou pelo menos é sábio porque escreveu algo. A excelência está no habito e não no feito. Enquanto a vaidade nos faz sentir diferente a atitude nos torna e a disciplina nos consolida.

Um abraço,

Luis Henrique Cintra

Entidades de Classe – União? Para quê mesmo?

 

Uniao para queEm março de 2013 alguns Fisioterapeutas desbravando caminhos que todos já conhecemos revolveram criar uma associação de prestadores de serviços de fisioterapia, surgiu assim a APRECEFISIO. Essa entidade representa a união de empresas e consultórios que visam conseguir uma remuneração justa sobre os honorários atualmente pagos pelas Operadoras de Planos de Saúde. Vencendo as dificuldades que o cotidiano impõe, em menos de 3 meses , nossa associação já estava totalmente regularizada. Filiada a FENAFISIO(Federação Nacional das Associações de Prestadores) segue o objetivo principal de implantação do Referencial Nacional de Honorários Fisioterapêuticos, atualmente disponibilizado no site do Coffito.

Em agosto de 2013 fomos surpreendidos com uma medida arbitrária da Operadora Camed que, alegando uma determinação da ANS, reduzia nossos honorários pela metade. Imediatamente nos reunimos e conseguimos garantir que os antigos contratos fossem mantidos até novas negociações. Essa Operadora partiu então para  a NEGOCIAÇÃO INDIVIDUAL no intuito de pressionar cada empresa. Inúmeras reuniões, pareceres, comentários  e fofocas circularam sobre esse tema dentro dos negócios em Fisioterapia do Estado do Ceará  Fato  é que várias clinicas receberam o comunicado de descredenciamento dessa operadora após relatarem que não concordavam em receber valores abaixo do que antes recebiam. Alguma tiveram isso ainda em Dezembro/2013 e outras para agora final de janeiro/2014.

Após 20 anos de formado e convivendo com tais OPS há 16 anos vejo que se cada empresa for sempre olhar somente para os seus problemas individuais, jamais conseguiremos alcançar uma conquista que possa ser efetivamente importante para nossa classe.  Atualmente, os prestadores de serviços fisioterapêuticos possuem a a ANS(Agência Nacional de Saúde) que ajuda na regulamentação dos contratos firmados entre esses e as operadoras. Acredito que se não soubermos utilizar essa vantagem em nosso favor ficará bem difícil a sobrevivência dos serviços de Fisioterapia pelos próximos 10 anos, contudo, não esqueçamos que a parte mais forte de nosso grupo é sempre o elo mais fraco.

Luis Henrique Cintra

Fisioterapeuta Consultor

Fisioterapia, profissão ou mais um serviço?

Profissão ou serviço

O Fisioterapeutas  são profissionais, que em sua grande maioria, são apaixonados pelo o que fazem. Não há recompensa maior que conseguir devolver a função perdida por alguém através de condutas simples, porém, sistemáticas e eficazes. O grau de importância  na vida das pessoas é imensurável. Somente quem precisou, é quem sabe o verdadeiro “valor” do Fisioterapeuta.

No Brasil, nossa profissão é praticada há mais de 100 anos, porém, oficializada há menos de 50. Surgimos, na realidade, como um adendo, uma colaboração, um serviço que “dava uma força” para outros profissionais serem laureados por nosso esforço. Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais são os focos da criação de nossa profissão, Instituto Ademar de Barros e ABBR estão entre os primeiros espaços destinados a “prestação de serviços fisioterapêuticos”.

Fomos ajudantes, depois auxiliares, depois técnicos e a partir de 1969 profissionais de nível superior. Quem nos ensinava? Quem nos supervisionava? Nós avaliamos e prescrevemos, ou somente executamos? Diariamente centenas de perguntas como essas giram o cotidiano, mesmo de forma “abafada”, o cotidiano de inúmeros profissionais que sonham com a autonomia.

Não pedimos para ter os nossos serviços pagos pelas Operadoras de Plano de Saúde. Médicos que, na época do inicio desse sistema de saúde, possuíam “serviços” onde se “aplicava” as “fisioterapias” dominavam o mercado. Com o tempo, os “donos de clínicas” começaram a mudar de perfil, o Fisioterapeuta, agora, assumia tal posição. Contudo, esse não se preparou para tanto e observamos inúmeros problemas desde então.

O Fisioterapeuta que hoje pretende entrar no mercado, seja como autônomo, seja  como empresa, ou então, através de concursos públicos, deve entender que precisa COMPORTAR-SE COMO PROFISSIONAL E NÃO COMO UM CONDUTOR DE SERVIÇOS, sendo, portanto necessários, inúmeros conhecimentos, além dos técnicos,   para o estabelecimento desse no mercado de trabalho. Isso deve começar ainda nos bancos escolares.

Luis Henrique Cintra

Fisioterapeuta Consultor

O rei perfeito

rei perfeito

Era uma vez um grande guerreiro que viajava por diferentes lugares tentando encontrar um reino que lhe fosse adequado. Cansado de percorrer montanhas e vales ele foi consultar um velho Samurai.

– Mestre,  procuro um lugar para me estabelecer, criar meus filhos e ensinar minha arte para aprendizes.

– Entendo, mas você tem procurado bem?

– Sim, porém, nunca encontrei um Rei que me parecesse adequado.

– Como não, tal rei está em todos os lugares.

– Desculpe minha ignorância mestre, mas não entendi. Como um rei pode estar em todos os lugares?

– O TEMPO é esse tal Rei.

– E como ele governa seus súditos.

– Sendo impiedoso, indiferente e generoso.

– Agora foi que fiquei confuso, como isso é possível?

– O rei será aquilo que você deseja, desde que você assuma seu papel.

– Como é esse papel?

– O Rei será INDIFERENTE com os apressados, IMPIEDOSO com os preguiçosos e GENEROSO com os determinados.

– Então como devo me comportar?

– Somente você saberá essa resposta.

Um abraço,
Luis Henrique Cintra

Fisioterapeuta Consultor

O que sustenta o sistema é o ímpeto do infante

SONY DSCO eterno poeta Renato Russo em sua música “Senhor da Guerra” descreve uma frase que é mais ou menos assim “lembre-se sempre que Deus está do lado de quem vai vencer”.

Ninguém gosta de perder, não é mesmo. As pessoas, contudo, esquecem que quando vão para a guerra, principalmente os que estão na linha de frente, estão altamente propensas a nos deixar.Ora bolas, mas isso é um detalhe, afinal de contas, mais vale uma medalha no peito e 1 minuto de silêncio a toda uma vida com família e filhos.

Procuro ler sempre blogs, comentários e propagandas sobre minha querida profissão, A Fisioterapia, todos os dias. Consegui identificar, em minha opinião, alguns tipos de situações:

– A primeira é que existem muitos colegas (alunos e profissionais) que se chateiam muito com a história dos protocolos de Fisioterapia. Aquela velha ladainha da receita dolo do Ondas Curtas, Ultrassom e Tens.

– A segunda é justamente a continuidade da primeira que mostra a saída é a Terapia Manual. Pois o tratamento é individual e ai cada caso é um caso. Como se não houvesse protocolos de atendimento na terapia manual.

– A terceira é o povo não é mais Fisioterapeuta mas que passa pra todo mundo que tudo que conseguiu na vida foi como Fisioterapeuta e ai vende os seus produtos.

– A quarta é a turma do barato coletivo. Ferramenta tão criticada, até pelos conselhos.

– A quinta é do pessoal que tapa o sol com a peneira dizendo que a gente só tem que atender os ricos. È porque não compensa atender planos de saúde.

– A sexta é o povo que começa a falar da Fisioterapia e mistura com os problemas nacionais e não reponde nada.

– A oitava é a turma que acha até legal o que leu mas não comenta por não querer assumir alguma coisa.

– A nona é a turma que ama o que faz, mas não ama o que ganha. Normalmente ainda não tiveram filhos e menos de 30 anos.

A décima é a turma dos novos conceitos tipo Pilates Evolution, Pilates Aquático, Pilates Aéreo,

– A sétima são os donos da verdade, que acredito devo está me comportando como tal.

Você, leitor, já imaginou o caos que seria se todos os alunos dos cursos de Fisioterapia buscassem outra profissão? Sim a Fisioterapia é linda, eu também acho, afinal de contas tento fazer meu papel há tanto tempo.

Não acho que a gente tem que ter cargo político para poder fazer alguma coisa pela Fisioterapia. Todos os políticos que lá estão, parecem que lá permanecem mais pelo desejo nossa inércia, que pelo real papel que devem assumir.

Nós somos órfãos de entidades de classe:

– Do que adianta ser registrado num conselho, se o mesmo não me protege no exercício ilegal da profissão? A prova são os ESTÁGIOS IRREGULARES QUE DESEMPREGAM DIARIAMENTE AQUELES QUE PAGAM OS SEUS CONSELHOS ?

– Do que adianta fazer parte de uma associação se essa parece apenas está voltada para chancelar congressos e nunca estipula honorários junto a planos de saúde ?

– Do que adianta ser filiado a sindicatos se esses são lutam contra as entidades públicas e nunca contra as privadas ?

No final disso tudo vemos a massa sendo manipulada pelo marketing que está tudo bem e nós já conseguimos muita coisa.

Um abraço,
Luis Henrique Cintra

O Macaco, a Raposa e a solidão

SONY DSCEra uma vez uma RAPOSA que vivia comendo restos de comida pela mata. O MACACO vendo sua dificuldade resolveu ajudar. – Amiga RAPOSA, veja bem, você deve saber aonde procurar a comida, aqui está o mapa, e aqui fica o galinheiro. A RAPOSA não acreditava que o MACACO tinha sido tão generoso, não lhe oferecendo comida, mas, informando-lhe aonde sempre consegui-la.

O tempo foi passando e a RAPOSA, resolveu controlar outros galinheiros. Conseguiu alguns amigos, e, dessa vez, pediu mais uma vez a ajuda do MACACO na manutenção de seus projetos. O MACACO assim o fez. Porém, a RAPOSA queria mais, e daí desejou manipular o MACACO para atingir seus objetivos dentro dos novos galinheiros e esse assim lhe disse: – Minha amiga, esse é seu reino não o meu, eu estou aqui para lhe ajudar, mas eu moro nas árvores e não no galinheiro.

A RAPOSA muito esperta resolveu fazer novos amigos por toda a floresta. Muitos não enxergavam, mas, essa desejava somente obter vantagem sobre tais amizades. Contudo, ela tinha vergonha do seu amigo, o MACACO. Ele era feio, às vezes mal educado e extremamente sincero, e ela, por tudo isso, não queria apresentá-lo a ninguém. Assim, pensava ela, esse ficaria esquecido e ela nunca precisaria ser-lhe grata por nada. Ela sempre se vangloriava por conseguir o que queria sem a ajuda de ninguém.

Um dia, a RAPOSA foi querer roubar a comida do leão, levou um patada, coitada, voltou bem quietinha para sua toca e de lá não saiu mais.

O MACACO nunca se incomodou com a indiferença da RAPOSA, às vezes, tinha até pena, pois sua amiga RAPOSA ficava tão preocupada em ser aceita que esquecia que na vida não adianta fazer amigos se não pode cultivá-los.

Um dia o MACACO foi aclamado Rei, e a RAPOSA, foi cheia de dentes lhe dar os parabéns, pois, a essa altura, ela já estava esquecida e solitária. Ela então perguntou:

– Como você conseguiu ser Rei? Você não tem amigos, é feio e mal educado.
– Na vida, minha amiga RAPOSA, convivemos com INIMIGOS DECLARADOS E AMIGOS SUSPEITOS. Graças ao tempo aprendemos a identificá-los. Enquanto eu cultivava os verdadeiros, você enaltecia os falsos. Você deve aprender que a única coisa que conseguimos sozinhos é a própria solidão.

Um abraço,
Luis Henrique Cintra

Eu adoro minha budega

SONY DSCFui convidado para ser professor durante um período em minha vida. Na época, já tinha uma clínica que havia construído juntamente com minha esposa, também fisioterapeuta, e tínhamos um fluxo constante de atendimentos diários.

Com o objetivo de contribuir mais com minha profissão, fui lá. Pensava que com minha experiência de mercado e junto com as habilidades que desenvolvi poderia contribuir para o crescimento de minha tão amada profissão.

Após o primeiro ano, o dito colega chega e diz: – Luis, você precisa fazer um mestrado.

De imediato respondi que não podia, pois não tinha tempo para tal. Ele insistiu: – Será bom para você, você vai adquirir novos conhecimentos na área. Mais um vez disse que não podia, pois, o que a gente estuda no mestrado não é necessariamente o que a gente aplica no cotidiano, respondi que o mestrado deveria ser feito para os pesquisadores que tinha o real interesse em seguir a vida acadêmica e não a de profissional liberal.

A conversa continuava e comecei a me sentir pressionado com a seguinte frase: – A faculdade precisa de alguém com mestrado, se você não fizer colocará seu emprego em risco. Nesse momento, vi que meu chefe também estava sendo pressionado a me convencer e tantos outros que lá estavam na mesma condição e que a instituição tinha um déficit de títulos e não de bons professores. Tais títulos, seriam necessários para determinados objetivos desejados pela instituição e não pelos colegas.

De repente veio um ensinamento de Maquiavel e respondi: – Faço meu trabalho com maestria, mas, meu reino não é esse. Eu não construí esse lugar. Só posso realmente confiar naquilo que depende de mim. Se um dia, essa ou qualquer instituição não precisar mais de mim não adiantará eu ser seu amigo ou ter me dedicado tanto dentro de minha profissão para conseguir uma autonomia profissional, serei descartado da mesma forma.

Coincidência ou não, depois que saí desse instituição, por livre vontade, nunca mais fui chamado para nada. E seguimos assim nosso caminho.

Reflitam meus amigos: às vezes somos reis, às vezes peões (Napoleão Bonaparte).

Um abraço,
Luis Henrique Cintra

O que é verdade?

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Mestre, o que é verdade?

– É aquilo que vai acontecer

– Mas, muitas coisas vão acontecer.

– Não, muitas coisas podem acontecer, é diferente.

– Pois me diga uma verdade

– Você um dia morrerá.

– Então, devo buscar a morte?

– Não, ai você seria tolo.

– Devo esperar que a morte quando mais velho.

– Ela simplesmente chega. Seja amigo da morte.

– Não entendi

– Morremos um pouco todos os dias. Diariamente a ciência tenta prolongar mais e mais a nossa vida, a fé nos estimula a continuar nossa batalha e nos acalenta quando perdemos alguém, pois assim, temos a esperança que um dia iremos nos encontrar novamente.

– Entendi

– Já que morte é inevitável, faça cada segundo de sua vida valer a pena, pois somente o pensamento é eterno.

– E por onde começo?

– Pergunte a você.

Um abraço,
Luis Henrique Cintra