O príncipe mimado

principe mimado

Era uma vez um príncipe herdeiro de grande fortuna e criado rodeado de  vassalos e bajuladores. Sua fama, de esbanjador, ecoava pelos 4 cantos do reino, o que atraía oportunistas e bisbilhoteiros formando, assim, uma grande e pseudo platéia para seus feitos.
Certo dia esse garoto mimado desejou ir à guerra e foi aconselhar – se com um velho general. Esse, como conhecia a história de seu superior, tentou desencorajar – lhe,  pois via,  naquele pequeno fedelho, alguém que desejava um grande feito, mas, sem muito esforço. Pressionado pelas circunstâncias,  acabou aceitando o desafio.

O general Reuniu exércitos de diferentes lugares e começou o treinamento. Muitos, desses, eram criaram esperançosas de uma vida melhor, pois, mesmo não conhecendo o príncipe, seguiam cegamente o mando do general.

O príncipe, devido a sua ignorância e arrogância,  só pensava em entrar em combate, mas, o general, precavido, para poupar a vida de todos, esperava o momento certo de agir. Quanto mais o general tentava treinar o príncipe para as batalhas, mais esse continuava a gastar as provisões do exército com festas e banquetes onde expunha sua bela espada e seu manto de veludo.

Por fim, esse garoto mimado disse que o general era incompetente e o exército fraco. Mandou, sem pestanejar , dispensar todos, inclusive os mais necessitados. Não pagando, inclusive, o soldo daqueles que, até o presente momento, foram-lhe fiéis

O general, decepcionado, não com o príncipe,  mas consigo por ter aceitado missão tão infame jurou nunca mais por seus soldados sob mando desse déspota.

Concluiu sua participação dizendo:

– Quem brinca com a vida dos outros nunca encontrará a paz, pois seus projetos não passam de castelos de areia erguidos antes da tempestade, e se um dia for lembrado, será através de piadas em mesa de bar.

 

Luis Henrique Cintra

Você trabalha, canta ou resolve?

camaleao

Numa floresta vários bichos discutiam suas habilidades de sobrevivência no mundo tão hostil.

As formigas, grandes operárias, relatavam feitos enormes, como a capacidade de união, a liderança e a obstinação em construir formigueiros cada vez maiores.

– Isso nos protege, nossas Fortalezas subterrâneas, somos unidas, daí vem nossa força.

As cigarras, dengosas por natureza, implicavam dizendo:

– Vocês só trabalham porque não sabem cantar. E tem mais, o nosso canto é harmônico e ordenado, o que confunde nossos predadores, enquanto vocês, seduzem-se por qualquer pedacinho de doce, sem falar no tamanduá que tem um língua enorme e leva vocês no papo.

As formigas responderam:

– Do que adianta cantar só no verão? Se esse é vosso trabalho, vocês deveriam fazê-lo o ano inteiro. E tem mais, vocês são tão preguiçosas que até para voar tem dificuldade.

Enquanto elas discutiam suas vaidades, um camaleão foi se aproximando e permaneceu horas observando, movendo apenas os olhos para analisar constantemente a situação.  De repente com um golpe certeiro engoliu suas presas num piscar de olhos dizendo:

– Ainda bem que trabalho só e não faço barulho. Nada como ser invisível.

Luis Henrique Cintra

Fisioterapeuta Consultor