Eu adoro minha budega

SONY DSCFui convidado para ser professor durante um período em minha vida. Na época, já tinha uma clínica que havia construído juntamente com minha esposa, também fisioterapeuta, e tínhamos um fluxo constante de atendimentos diários.

Com o objetivo de contribuir mais com minha profissão, fui lá. Pensava que com minha experiência de mercado e junto com as habilidades que desenvolvi poderia contribuir para o crescimento de minha tão amada profissão.

Após o primeiro ano, o dito colega chega e diz: – Luis, você precisa fazer um mestrado.

De imediato respondi que não podia, pois não tinha tempo para tal. Ele insistiu: – Será bom para você, você vai adquirir novos conhecimentos na área. Mais um vez disse que não podia, pois, o que a gente estuda no mestrado não é necessariamente o que a gente aplica no cotidiano, respondi que o mestrado deveria ser feito para os pesquisadores que tinha o real interesse em seguir a vida acadêmica e não a de profissional liberal.

A conversa continuava e comecei a me sentir pressionado com a seguinte frase: – A faculdade precisa de alguém com mestrado, se você não fizer colocará seu emprego em risco. Nesse momento, vi que meu chefe também estava sendo pressionado a me convencer e tantos outros que lá estavam na mesma condição e que a instituição tinha um déficit de títulos e não de bons professores. Tais títulos, seriam necessários para determinados objetivos desejados pela instituição e não pelos colegas.

De repente veio um ensinamento de Maquiavel e respondi: – Faço meu trabalho com maestria, mas, meu reino não é esse. Eu não construí esse lugar. Só posso realmente confiar naquilo que depende de mim. Se um dia, essa ou qualquer instituição não precisar mais de mim não adiantará eu ser seu amigo ou ter me dedicado tanto dentro de minha profissão para conseguir uma autonomia profissional, serei descartado da mesma forma.

Coincidência ou não, depois que saí desse instituição, por livre vontade, nunca mais fui chamado para nada. E seguimos assim nosso caminho.

Reflitam meus amigos: às vezes somos reis, às vezes peões (Napoleão Bonaparte).

Um abraço,
Luis Henrique Cintra

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